Extraordinário

Eu comecei a fazer análise com um terapeuta e, eu, que sempre fiz acompanhamento com psicólogos, percebi como a dinâmica mudou de forma natural e avassaladora. Antes, eu buscava respostas. Buscava encontrar a mim mesma e, ainda sem nenhuma certeza sobre quem eu era, tentava organizar sinais que me ajudassem a identificar o que e como eu sou. Confesso que, quando iniciei esse novo processo, fiquei me perguntando por que, desta vez, busquei a análise. Hoje, repentinamente, surgiu uma reflexão que foi ganhando voz diante do espelho, logo pela manhã, enquanto eu me arrumava para trabalhar. Percebi que, hoje, eu sei quem sou. E que os encontros deixaram de ser uma tentativa de descoberta para se tornarem um processo de consolidação. Muitas vezes me pego falando de mim na terceira pessoa. E isso não acontece por não reconhecer a existência que vivo, mas por finalmente me considerar digna de me observar sendo. E, diante dessa liberdade, poder julgar, validar ou reprovar aquilo que mostro ao mundo e a forma como escolho fazê-lo. Porque, no final, essa validação agora é feita pela única pessoa que realmente pode concedê-la: eu mesma. Finalmente, sinto que estou entrando no palco da minha vida como protagonista absoluta desse monólogo interior que dá sentido à minha existência, assim como cada pessoa dá sentido à sua própria vida neste mesmo mundo, neste mesmo tempo. Compreendi que o que ficou claro não foi o que mudou em mim, nem por que mudou, mas como mudou. Hoje chorei enquanto sorria diante do espelho — pela primeira vez, nessa ordem. E a estranha sensação de estar feliz sem nenhum motivo extraordinário explícito, mas, sobretudo, de perceber que o choro acompanhou o riso, e não o contrário, exigiu uma sessão inteira de análise para que eu compreendesse algo fundamental: é preciso abrir-se por inteiro para, só depois, escolher aquilo que queremos abraçar. E é justamente isso que torna a vida, como um todo, algo verdadeiramente extraordinário. Um momento por vez. Um dia por vez. Uma vida por vez. ❤️

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Sonhadorzinho

Sonhadorzinho
Uma boa leitura, um momento de frescura pra uma vida dura.

Meu.

É meu, para mim! Quando escrevo, escrevo de mim para eu mesmo, expondo as vontades e dores que tenho na minha individualidade, sem necessidade de explanação, só como uma forma de retirá-los de dentro de mim, sem ter de esquecê-los no tempo. Guardo aqui, os momentos que chorei e sofri, e até os que sorri, para se precisar, lembrar. Principalmente, lembrar o porque de eu não querer mais, sequer, lembrar.

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