Eu, Travesti-r!
Eu já sabia! Mas fazia de conta que não entendia que a pessoa mais parecida com a referência que eu tinha criado na minha fantasia - estava ali, na noite, no frio, sozinha e parada na esquina! E com o tempo minha menina foi percebendo esse movimento - lento - de ter de aprender à dizer “adeus” - aos seus e as suas amigas- hoje umas pisam na Europa, aqui seguem outras - sem tempo à prantos, condolências ou missas de sétimo dia - se reinventando e tentando manter-se suficientemente viva… Umas mais alto astral, com salto cristal e blusa de oncinha… outras não tão bem quistas, mas obrigando a por quem enxerga serem vistas no canto delas. Mas muitas deitaram e ficaram pelo caminho - indigente e clandestino. Sem escolha. No chão. Sem destino. Na encolha. Na moita. No sigilo. Enterradas em terra molhada com nome de menino. Eu aprendi a me despedir bem antes, me despeço distante sem nem me despir. E hoje sei que nunca fui nem nunca serei aquelas que começam do início- onde se planeja primeiro o mês de fevereiro e os gatinhos - mas cheguei a conclusão que também não sou só o fim - aquele misto de desgosto e vazio, transformando angústias em músicas pra se ouvir nesses fones sem fio… Eu sou o meio. eu sou e eu estou no caminho.
O Deco, O Dé, O Gui, O Sonhadorzinho.
Sonhadorzinho
Uma boa leitura, um momento de frescura pra uma vida dura.








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