Vinte e nove segundos

Vinte e Nove Segundos...

"A eternidade mais fria e rápida que eu já vivi!"

Comecei cedo meu dia, acordei, me arrumei, e de certa forma fui até o meu destino me preparando para algo desconhecido.

O atraso me permitiu mais cansaço que os outros concorrentes. Antes de tudo, a pressa e a falta de fôlego já eram minhas companheiras, antes sequer de chegar perto d'água.

Assistindo e atentando as novas informações com cautela e ansiedade, pensando muito, e não pensando em nada.

Todos aqueles presentes se preparavam juntos, numa cena quase comum ao nosso convívio. Todos uniformes, desprotegidos, com frio. Semi-nus.

Não titubeei, e me igualei a todos ali presentes. Com frio, semi-nu.

No caminho até a piscina, senti-me como destaque em algum momento de exibição de moda-praia. Como um daqueles desfiles vibrantes de lançamentos, onde a platéia não desgruda as atenções dos manequins e de seus trajes. Foi assim que eu, e os que conseguiam olhar para o lado se sentiam naquele momento.

Já na preparação, fiz o que de costume faço antes de exercícios que exijam trabalho físico, me alonguei; e enquanto isso conseguia sentir a tensão que se acumulava no nosso grupo... Olhando de fora, o caminho a ser percorrido seria mínimo. Coisa que qualquer pessoa seria capaz de fazer, incluindo nós.

Alguns antes de mim, desistiram antes do final, o que me deixara mais preocupado, na realidade não me preocupava com eles, me preocupava comigo. Ansiedade é meu ponto fraco.

Eu vi sonhos afundando, lágrimas caindo e se misturando ao corpo já molhado, perda da força... vi objetivos boiando esperando por socorro, que era imediato à qualquer sinal de desistência. Preocupei-me também em não demonstrar desistência.

Fui chamado. Me posicionei à beira da piscina, que a cada instante parecia estender-se mais e mais. Logo pude ouvir o grito de “JÁ”. Peguei todo impulso que minhas pernas fossem capazes de ter, e imaginando ter essa visão numa câmera lenta, poderia ver o esforço dos meus membros inferiores, destacando músculo a músculo, e tirando força de qualquer lugar que eu pudera ter. Direcionei-me ao fundo da piscina ganhando força, e lá, já não ouvia mais nada, só lembro-me de ouvir as batidas aceleradas do meu coração, que parecia estar acelerando junto comigo. De volta a superfície, pus-me a nadar como nunca antes, sem me preocupar com qualquer pessoa ali em volta, só com o outro candidato que nadava ao meu lado, em pouco tempo estava a sua frente, onde me mantive firme até o final.

Não há como descrever a sensação de estar ali dentro naquele momento, só em entrar na piscina eu já não via mais a outra borda, isso me preocupava, parecia que já estava nadando há dias, e que não conseguiria... Meus olhos pulsavam e ardiam, estavam abertos a todo momento, inclusive quando me proporcionaram o “alívio” de poder ver a margem da piscina.

Chegado ao fim, cronômetro parado, ouço o comentário de que este ano, o grupo estava muito bom, e que eu havia feito todo aquele percurso em vinte e nove segundos. Cinquenta metros, vinte e nove segundos.

Eu garanto que não percebia nenhuma parte do meu corpo quando saí da água... Andei como equilibrista, sem saber direcionar minhas pernas... ao mesmo tempo que me sentia exausto, me sentia vitorioso. Dentre tantos que gabaram experiência eu exerci o segundo melhor desempenho, e em nenhum momento tive tempo de desistir.

Apesar de não sonhar com esse futuro pelo qual ando lutando tanto, há pessoas que sempre o sonharam para mim, e que me fizeram acreditar nele, como uma chance de sonhar sozinho um outro futuro, onde o já sonhado, será minha base, para concretizá-lo.

Enfim, cheguei.

- Eu acabei aprendendo a amar e a querer você em todos os tempos verbais, não consegueria amar-te tanto, se amasse só quando o tive comigo! Carta à Solidão: Será que um dia você sentiu por alguém o que eu senti por você? Será que um dia, você dormiu e acordou sempre pensando numa mesma pessoa? Talvez eu tenha tido medo de lutar por você, por que senti amor de mais. Por sentir um sentimento que nunca coube dentro de mim mesmo. Mas por diversas vezes eu me perguntei, e me pergunto, por onde você anda? Como está hoje em dia, se ainda procura tanta liberdade, ou se já se deparou com uma situação parecida com a minha... E quanto mais eu penso, mais me prendo aos sonhos, por ser neles a única forma de chegar perto de você outra vez. Eu nem entendo porque você grudou desse jeito na minha memória, eu nem entendo o porquê. Mas eu só queria saber, se já sentiu por alguém, o que eu sinto por você? Talvez se eu não tivesse sentido calado, e não tivesse medo... Ou talvez seria melhor nem tê-lo conhecido. Ou talvez ainda, eu devesse mesmo ter vivido tudo isso. Acho que a falta que você me fez e me faz, não seria abonada nem mesmo se você estivesse comigo... E por te querer de mais, eu tive menos, do que eu no mínimo, precisava. "Todos nós temos alguém inesquecível. Superável, mas inesquecível!"

Superação

Enfrentar pra não chorar.

Nunca chegaram tão perto da minha vulnerabilidade; nestes momentos que superei meus medos, lutei contra os desafios como nunca havia feito, como nunca sequer imaginaria lutar. Venci com cabeça erguida e confiante tudo aquilo que se fazia em meu caminho como inalcançável, e já não temia mais nada, sem saber o que me era esperado.

Eu podia repetir várias vezes em voz alta tudo aquilo que eu passei, e mostrar com um sorriso orgulhoso àqueles que não confiaram na minha capacidade, que eu consegui. E que a partir de agora, tudo aquilo que não me destrói fisicamente, tende a fortalecer minhas barreiras psicológicas. Mesmo que eu leve algum tempo para associá-las...

Foi depois desse acréscimo de motivação e apoio que recebi que acabei deparando com mais diversidades, com mais medos... Enfrentei-os! Desta vez fora diferente, um tanto quanto mais vulgar, mexeram com a parte mais profunda dessa tal psicologia que habita em mim... Me puseram diante de outros, indefesos, com frio, frente àqueles que sorriam sorrisos macabros e desejosos. Equipados de pouca vestimenta e máscara de proteção, conseguia esconder todos os meus cento e oitenta e cinco centímetros por trás daquela capinha branca e frágil, que segurava minha respiração e me mantinha ainda em pé.

Tinha um olhar parado e morto, confuso e embaçado, imóvel. Tinha um corpo à mostra, sentia frio, mentia a mim mesmo minha vergonha. Horas. Cansei minhas bases, de tanto que esperei de pé. Sentei-me, e me deparei com mais um constrangimento, só mais um que eu poderia superar. E depois de tudo isso, ainda defloraram meus pudores mais secretos e me deixaram ali, encolhido, sem reação, sozinho.

(Aprendiz de Marinheiro 06/8/09 - 10/8/09)

O Deco, O Dé, O Gui, O Sonhadorzinho.

Sonhadorzinho

Sonhadorzinho
Uma boa leitura, um momento de frescura pra uma vida dura.

Meu.

É meu, para mim! Quando escrevo, escrevo de mim para eu mesmo, expondo as vontades e dores que tenho na minha individualidade, sem necessidade de explanação, só como uma forma de retirá-los de dentro de mim, sem ter de esquecê-los no tempo. Guardo aqui, os momentos que chorei e sofri, e até os que sorri, para se precisar, lembrar. Principalmente, lembrar o porque de eu não querer mais, sequer, lembrar.

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